O projeto cenográfico

O cenário cenográfico e seus elementos.

Ricardo Pizzotti

O projeto cênico é desenvolvido no papel ou computador em uma planta baixa, em escala e perspectiva, com as cores definitivas propostas e dispondo toda a decoração.

 

O cenógrafo trabalha com base no perfil da cena, descrito no roteiro, e seguindo as orientações do diretor do programa, filme ou espetáculo para estabelecer a melhor composição (cores, texturas, iluminação) para contar visualmente uma história.

 

O cenário nos informa a respeito do local onde transcorre a ação, a época em que se passa, o poder aquisitivo dos personagens; o figurino diz se está frio ou calor, se está chovendo, se os personagens são ricos ou não, se vivem na época atual, na década de 1920, no século passado, etc. A soma dessas a outras informações nos auxilia a entender melhor o que se passa e a formar uma ideia completa a respeito (Camargo, 1986, p. 31).     

 

A cenografia é a arte e a técnica da organização do espaço de representação. Ela deve possuir conceitos estéticos precisos, ser funcional, facilitar o posicionamento e movimentação das câmeras e do boom, permitir perfeita movimentação e ação dos atores e oferecer uma boa estrutura para a iluminação.

 

Nenhum elemento cenográfico pode ser apenas decorativo.. Assim como a luz deve ter uma função maior do que apenas iluminar o espaço, o elemento cenográfico deve ser a alma da personagem, ter uma função psicológica, deve sugerir diferentes emoções — tristeza, alegria, solidão e fantasia — do mesmo modo que o argumento, diálogo e música. Para se entender o cenário em sua linguagem, é preciso recorrer à gramaticalidade de outros sistemas artísticos, como a pintura, a escultura, a arquitetura, a decoração, o design da iluminação. São esses sistemas que se encarregam de representar um espaço geográfico (uma paisagem, por exemplo), um espaço social (uma praça pública, uma cozinha, um bar) ou um espaço interior (a mente, as paixões, os conflitos, os sonhos, o imaginário humano). No cenário, ou apenas em um dos seus constituintes, se projeta o tempo: a época histórica, estações do ano, horas do dia, os momentos fugazes do imaginário. (Oliveira, 1998).

 

Tipos de cenários

 

Uma estrutura cenográfica tem diferentes peculiaridades que funcionam como modelos dentro de cada gênero. O estilo vai depender da visão do diretor, do espaço físico e do orçamento.

 

Podemos dividir os cenários em cinco categorias básicas: 

 

1. Neutro

Cenário sem nenhuma profundidade com fundo neutro, em geral na cor azul ou preta, construído com pano, rotunda ou ciclorama. Utilizado em programas de debates político e para pronunciamentos e comunicados oficiais. Esse tipo de cenário custa pouco, é fácil de montar e dá destaque à pessoa que está no foco.

 

2. Reprodução
Cenário que reproduz um lugar exatamente como ele é. São os mais caros de serem montados, pois requer muitos detalhes e precisão para parecer real em diferentes ângulos de câmera. Às vezes, são construídas ruas inteiras, diversos cômodos de uma casa e até mesmo cidades cenográficas. É normalmente usado em novelas.

 

 

Etapas para confecção do projeto


O cenógrafo primeiro analisa detalhadamente o roteiro, decupando o texto, para entender a história e determinar que elementos precisam ser considerados no projeto:

 

  • Qual é o gênero do trabalho: drama, comédia, stand up musical.

  • Onde ocorre a cena: por exemplo, em uma mesquita de um país árabe; em uma comunidade do Rio de Janeiro.  

  • Quando a ação acontece: o período do ano, a hora do dia, a estação do ano, o período histórico.

  • As mudanças de cena sugeridas pelo texto e os movimentos dos atores.

  • Qual é o status social dos personagens (classe trabalhadora urbana, aristocracia, classe C).

  • O humor e o tom emocional da produção (cor, forma, ritmo dos elementos visuais), trajes, música/som, direção, atuação e, o mais importante, o próprio texto.

  • O número, o tamanho e os tipos de cenários necessários.

  • Outros requisitos: fogos de artifício; piscina; escada.


Depois é feita a pesquisa, etapa importante para fornecer pistas visuais que possam orientar o espectador para o tipo de ambientação da história.

 

O próximo passo é discutir com diretor da obra e produtor o que a cena requer em termos de concepção estética. Essa visão combinada assegura as melhores apresentação para o projeto cenográfico, levando-se em conta o posicionamento dos móveis e objetos de cena e os movimentos dos artistas.

Ainda na fase preliminar, o cenógrafo desenha esboços, plantas em escala, disposição do mobiliário, elevações frontais para mostrar janelas e elementos de cena e, quando necessário, maquetes ou pequenos modelos tridimensionais.        

 

Em seguida, o diretor analisa o projeto a fim de verificar se ele atende os objetivos da produção e discutir com os membros da equipe os detalhes do projeto. Chegando à solução final, o cenógrafo projeta os cenários utilizando diversas ferramentas, como desenhos em perspectiva e em planta baixa, maquetes e visualizações virtuais em modelagem 3D.

 

Uma vez concluído a fase do projeto, é preciso elaborar o orçamento da montagem, incluindo a relação e a quantidade de materiais que serão utilizados, seu tempo de uso e o custo do pessoal especializado que trabalharão no projeto (cenotécnicos, carpinteiros, maquinistas, tapeceiros, pintores, escultores, etc.).    

 

Depois de aprovado o orçamento, o cenógrafo acompanha e fiscaliza sua montagem. 

 

Os cenários são construídos pelos cenotécnicos auxiliados por marceneiros, pintores e serralheiros. Os aderecistas e contrarregras providenciam e estocam todos os objetos necessários à produção.

     

Se a produção for feita em uma locação, como rua, praia ou campo, o cenógrafo apenas irá escolher um local que melhor corresponda às necessidades estéticas do programa.

 

Após a construção, o cenário é “vestido” pelo montador ou decorador com mobília, tapetes e objetos de decoração e os objetos que serão manuseados pelos atores

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2017 - 2020 © Ricardo Pizzotti