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Princípios da cinematografia

Filipe Salles 

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1.Origens

O termo cinematografia vem de “cinematógrafo”, aparelho desenvolvido pelos irmãos Auguste e Louis Lumière na França, para projeção de imagens em movimento, e que coincidentemente ficou conhecido como cinema.

A origem vem do grego Kine ou Kino, que significa "movimento" (da mesma raiz que o estudo da Cinemática, em física), e a este termo agregam-se a foto (tó) e a grafia (grafo), sendo, literalmente "escrita da luz (imagem) em movimento", 
 

Thomas Edison, antes dos irmãos Lumière, já havia construído uma máquina similar, ao qual denominou "Kinetoscópio", pelo mesmo princípio, com a diferença que esta não projetava as imagens para fora, e sim eram vistas dentro do aparelho, através de uma lente, e portanto eram máquinas de projeção individuais (razão pela qual o aparelho dos irmãos Lumière se tornaram mais populares).

O termo é usado nos EUA como sinônimo de ‘fotografia para cinema’, uma vez que a cinematografia subentende a captação de uma imagem cinematográfica, cuja técnica é de responsabilidade da equipe de fotografia. Entretanto, o termo aqui no Brasil tende a ser mais amplo, envolvendo todas as funções do cinema. 


É interessante notar como a captação cinematográfica se confunde, pelo menos etimologicamente, com a própria arte do cinema. Isso porque pode-se entender duas coisas, quando falamos de cinematografia: primeiramente, a função de fotógrafo e a equipe de fotografia, ou seja, a Direção de Fotografia, que é a própria imagem do filme. Em segundo lugar, o próprio filme.


Mas falando especificamente da técnica que permite a captação da imagem com uma câmera de cinema, ou seja, a fotografia para cinema, toda ela é voltada para obtenção de uma imagem apurada, coerente com a proposta do filme e a mais objetiva possível dentro desta proposta. Para tanto, é preciso conhecer um pouco de fotografia tradicional, estática, pois nela estão todas as bases para a fotografia de cinema. A rigor, são exatamente a mesma fotografia, só que a de cinema abrange uma dimensão cinética, ou seja, inclui o movimento.

2.A Captação e a Projeção de Imagens

Podemos definir tecnicamente o cinema como uma sucessão de imagens numa tela, obtidas por projeção óptica, em que se tem a sensação, pela troca rápida de imagens, de um movimento contínuo. 


As imagens que possibilitam o cinema devem ser, portanto, translúcidas e positivas, uma vez que a projeção óptica necessita de um feixe de luz que transpasse a imagem gravada, e esta seja formada e ampliada por uma lente, possibilitando assim sua projeção externa à própria imagem gravada. Por esse motivo, embora o conceito de projeção já existisse há muito tempo, foi preciso que se inventasse antes a fotografia, que é o suporte ideal para este tipo de projeção óptica. A fotografia demorou certo tempo até ser descoberta; o cinema, por consequência, também teve que esperar, apesar dos inúmeros apelos.


Para que este efeito funcione, há necessidade de capturar e projetar a imagem em sistemas similares, compatíveis e padronizados.


O instrumento utilizado para captação de imagens é a câmera cinematográfica, composta por elementos óticos e mecânicos (e modernamente alguns eletrônicos que regulam com maior precisão suas funções) que capturam uma sucessão de imagens, como uma câmera fotográfica contínua.

Vejamos algumas câmeras e projetores:

 

 

 

Paillard-Bolex 16mm, de fabricação suíça, em seu design clássico de 1935, movida à corda, fazendo dela uma das mais versáteis.

 

 

Fries Mitchell 35R3, famosa por permitir filmagens em High Speed.

A moderna câmera do sistema Panavision, a Panastar 35mm.

 

Esquema básico de um projetor caseiro, tipo Super-8 ou 16mm. 
Embora maiores, os projetores 35mm possuem os mesmos princípios.

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