Estruturas e montagem da luz

A iluminação em televisão

Ricardo Pizzotti

A primeira e principal função da iluminação é fazer com que todos os espectadores consigam ver de forma clara e sem esforço o que está se mostrando. O cenário, os atores e, de maneira geral, todo o ambiente deve ter uma iluminação que assegure a visibilidade correta das formas e em um nível de intensidade que não canse o espectador por excesso ou por escassez de luz. 


Outra função igualmente importante é a seletividade, isto é, o direcionamento da atenção do espectador para onde se deseja. 


O nosso olhar vai seguir naturalmente os pontos do campo de visão mais iluminado.


Em uma cena iluminada com luz artificial, os planos de composição de luz devem ser cuidadosamente elaborados, a fim de que a imagem esteja em harmonia estética com o roteiro e sua proposta. 


A luz pode ter, dependendo muito do tipo de produção, uma função informativa para o espectador. É de dia ou de noite? É em exterior ou interior? Se há uma tempestade de que forma a luz poderá ajudar a passar essa informação? Globos com raios e estrobos? Luz que entra pela janela e imita um piscar de lâmpadas de néon poderá por exemplo ajudar a situar a cena num ambiente urbano. O uso desta função da luz deverá ser sempre conjugado com a estética pretendida pelo encenador para o espetáculo. No entanto, mesmo em espetáculos em que não se pretendem efeitos realistas por parte da luz, o entendimento claro do tempo e espaço em que acontecem as cenas é de grande importância para o iluminador, podendo servir para a criação de ambientes mais abstratos mas que tem origem no contexto específico da cena. (2)

Na opinião do lighting designer Valmir Perez (3), o “artista da luz” precisa participar de todas as discussões sobre o espetáculo e conhecer profundamente as mensagens da obra para que a iluminação sirva de apoio à expressão da obra. “O profissional deve saber, antes de tudo, a ideia da direção, como a obra será direcionada”, argumenta. Perez enfatiza que o profissional deve se preocupar com o levantamento de informações históricas, principalmente quando se trata de uma produção de época. Também faz parte da pesquisa o acompanhamento dos ensaios, pois é nesse momento que se discute o comportamento da obra cênica como um todo, segundo o autor. “Se não acompanhar cada passo, não tem condições de realizar um bom projeto”, frisa. O acompanhamento da equipe permite ainda o levantamento de bloqueios de iluminação, que podem ser aproveitados para a criação de efeitos visuais e transformá-los em volume de cena. Perez acentua que é no momento da pesquisa que o iluminador poderá definir a luz ideal para o figurino e para a maquiagem. “E não é só definir a cor, mas também o ângulo que pode proporcionar as formas ideais”, acrescenta. 
 

(2) J. Álvaro Correia & Pedro Cabral. Manual técnico de iluminação de espectáculos. (Editora Setepés: Porto, 2007) 
(3) Valmir Peres, lighting designer responsável pelo Laboratório de Iluminação do Departamento de Artes Cênicas do Instituto de Artes da Unicamp.

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