Locução em rádio AM

A personalidade do locutor é fator preponderante no formato de sua locução, embora, como em todo trabalho de rádio, o locutor de AM também esteja inserido em um “personagem”, o que guia sua forma de conduzir a comunicação. 


Improvisação
Ser comunicador requer habilidade de improviso. Quanto mais natural e espontânea for a comunicação, melhor. Quando improvisamos, estamos colocando toda nossa habilidade de comunicação natural a serviço da locução. Um comunicador precisa aprender a improvisar, “soltar a língua”. Saber ler não é suficiente. Ao contrário do que muitos imaginam, improvisar nada tem a ver com falar sobre o que se desconhece. É exatamente o contrário: improvisar significa falar sobre o que se conhece com total propriedade, fluência e naturalidade, exatamente porque se domina o assunto. 


Improvisar não é somente falar o que vem à boca. Exige mais preparação que a redação de um texto. Significa pesquisar, fazer um esboço das ideias. A capacidade de improvisação depende de uma atitude permanente de curiosidade, de observar o mundo, de muita leitura, de conversar sobre os mais variados temas. Falar se aprende falando.


A habilidade de improvisar pode ser melhorada com muito treino, mas sobretudo com a ampliação do conhecimento nas mais diversas áreas. Observe em você mesmo como isso acontece: supondo que você não trabalhe na área de aviação, se eu lhe pedir para improvisar sobre o tema, provavelmente terá muita dificuldade porque, mesmo tendo um vocabulário rico e habilidade de comunicação, você não terá argumentos suficientes para realizar o improviso. Por outro lado, se eu pedir que você improvise sobre o trabalho que exerce atualmente ou sobre um hobby que tenha há algum tempo, com certeza poderá improvisar muito bem, porque colocará todo o seu conhecimento à disposição da sua comunicação. Assim, podemos concluir que a base do improviso é o conhecimento que você possui do assunto.

Mas improviso não se refere exclusivamente a dissertar sobre temas preestabelecidos. Muitas situações em um estúdio de rádio exigirão a sua habilidade de improvisar: equipamentos que não funcionam, notícias de última hora, comportamento de ouvintes e muitas outras circunstâncias que não podemos sequer imaginar. 

A melhor maneira de lidar com essas situações é saber que elas podem acontecer a qualquer momento, e você só poderá contar com sua comunicação para sair-se bem. Improviso não é desorganização. Qualquer ideia, para ser transmitida, necessita de uma estrutura lógica de compreensão. Por isso, ao improvisar sobre algum assunto, é preciso organizar (mentalmente ou no papel) a sequência do que será falado. Dessa forma, você estará “roteirizando o improviso”. 


Algumas dicas importantes na hora de improvisar:

  • Jamais misture improviso com leitura. Isso atrapalhará o desenvolvimento da sua ideia e poderá fazer com que você insira, no meio do improviso, trechos da leitura que não se ligam à ideia ou à estrutura de composição da frase. Ao misturar improviso com leitura, você estará aumentando sua carga de tensão, pois não terá 100% de controle sobre a comunicação (já que parte dela está escrita, e não na sua cabeça). 

  • Jamais inicie uma frase sem saber ao certo qual a ideia que ela contém e como ela irá terminar. 

  • Considere sempre que as ideias são mais importantes que as palavras. Quando você quer transmitir uma ideia e tem a clara noção do que ela significa, não correrá o risco de ter o famoso “branco”, que é quando somem as palavras. Por isso, não procure as palavras, e sim concentre-se no que quer transmitir. Assim, as palavras virão naturalmente.

  • Amplie o seu vocabulário, dessa forma, você terá mais palavras à sua disposição para expressar o que deseja. Como se amplia o vocabulário? Lendo, lendo, lendo muito! 

  • Nunca decore um texto. Decorar não é improviso e, com certeza, irá lhe colocar em más situações, caso esqueça uma única palavra, por exemplo. 

Vamos improvisar? 
Para efeito de exemplificação, vamos considerar como ideias centrais para comunicação os seguintes ícones representativos.

Considerando esses ícones e ideias, podemos treinar nossa habilidade de improviso associando três ícones em sequência e, em seguida, desenvolvendo uma comunicação sobre a sequência. 

Observe o seguinte exemplo: 

Verbalização: “Bom dia para você que sintoniza a Difusora FM. Agora são nove horas e cinco minutos em São Paulo. Dia quente de verão, os termômetros indicam 29 graus. E para o seu dia ficar ainda mais quente, que tal ganhar cem reais no cofre premiado da Difusora? Ligue e se inscreva. Daqui a pouquinho mais um sortudo vai faturar os cem reais de hoje”. 

Verbalização: “Só a Difusora dá de presente um carro zero para você. Participe da promoção, é fácil, fácil. Basta ligar pra gente e dizer a frase 'Eu amo a Difusora'. Pronto! Você já vai estar inscrito e poderá ganhar um carro zero no final do mês. Então, anote aí o telefone para participar: 5555-4646. Vou repetir: 5555-4646. O resultado vai ser divulgado aqui na Difusora e também no nosso site. Aproveite e visite o portal mais interativo de rádio na cidade: www.difusora.com.br”.

Os programas de rádio possuem esboços de roteiros que estão mais relacionados com a ordem em que os quadros são inseridos do que com o texto a ser falado. A habilidade de improvisar é essencial para o profissional de AM por diversos motivos: 

  • Como os programas são grandes e a comunicação do locutor predomina a maior parte do tempo, torna-se inviável roteirizar frase a frase.

  • A espontaneidade e a naturalidade do locutor são essenciais para a comunicação em AM, o que só pode ser obtido com improviso.

  • Os programas são atualizados à medida que estão no ar. Notícias de última hora, entrevistas não programadas, participação de ouvintes quando não é possível saber o foco do assunto e muitos outros elementos não podem ser previstos em um roteiro. 
     

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