Conheça e saiba como usar os diferentes filtros de câmera (2)

Ricardo Pizzotti

Ultravioleta — UV: filtro neutro que absorve os raios ultravioleta dando um aspecto mais natural à imagem. Os raios ultravioleta não são captados pelo olho humano, mas a câmera os registra, o que provoca uma espécie de névoa azulada ao fundo das cenas distantes. O filtro UV ajuda a melhorar a imagem quando há neblina e a realçar ligeiramente a cor e o contraste da cena. É também usado para proteger a objetiva de arranhões ou sujeira.

Polarizador: filtro que só permite passar a luz em certa direção. Ao ser girado, reduz ou aumenta certos reflexos de superfícies brilhantes. Corrige a luz em sua polarização e em seu direcionamento. É usado também para deixar o céu mais escuro ou azulado, para limpar a névoa atmosférica (e a poluição também) e para tornar as cores mais vivas. A maioria dos filtros polarizadores possui fator de correção de exposição de 2,5, o que significa aumentar a abertura em 1 ponto e 1/3.

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ND: filtro de densidade neutra, que reduz a intensidade da luz sem alteração do contraste e da cor. Não exerce nenhum efeito sobre o equilíbrio cromático, apenas reduz a quantidade de luz que entra na câmera. É utilizado para controlar a profundidade de campo porque permite uma abertura maior sem alterar a velocidade de obturação. Também reduz a superexposição quando as condições de iluminação são muito intensas e excedem a combinação abertura/velocidade. 


Os filtros de densidade neutra são indicados por um valor de densidade (óptico). A densidade é definida pelo logaritmo com base 10 de opacidade. A opacidade (o grau de absorção) de um filtro é inversamente proporcional a seu grau de transmissão. Por exemplo: um filtro com a compensação de um ponto de diafragma (ou de um stop) tem transmissão de 50%, ou 0,5 vez a intensidade original da luz. O inverso da transmissão, que é 0,5, é 2. O log com base 10 de 2 é aproximadamente 0,3, que é o valor da densidade nominal. A vantagem de usar os valores de densidade (ou density values) é que eles podem ser adicionados quando forem combinados. Dessa forma, dois filtros ND 0,3 têm um valor de densidade de 0,6. No entanto, suas transmissões combinadas são encontradas pela multiplicação 0,5 × 0,5=0,25, ou seja, 25% da intensidade original da luz.

 

Os filtros de densidade neutra também são disponíveis em combinação com outros filtros. Já que é preferível minimizar o número de filtros usados, combinações comuns, tais como o Wratten 85 (filtro de conversão de luz do dia — daylight, para luz artificial — tungstênio) com o filtro ND, são encontradas em um só filtro, como no 85N6. Nesse caso, o valor de dois pontos de diafragma do filtro ND 6 é adicionado à compensação da exposição necessária para o filtro 85 puro.

 

Os filtros ND já vêm internamente com a câmera ou podem ser colocados externamente (filtros quadrados, de rosca, de cristal, de gelatina, de plástico, etc.), utilizando-se um porta-filtros.


No caso de filtros internos, a luz é reduzida depois de passar por todas as lentes da objetiva (o mais recomendado). Nos externos, a luz é reduzida antes de passar pela objetiva.


Os filtros externos, mais utilizados em fotografia, são indicados por números inteiros — ND 3, ND 6, ND 9 —, mostrando a redução da luz. Um ND 3 equivale a 0,3 da luz ou menos 1 f stop; ND 9=menos 3 f stops.

 

Os internos, incluídos no corpo da câmera, são indicados em frações: ND 1/4, ND 1/6, etc., mostrando que passa 1/4 ou 1/6 do total da luz incidente, respectivamente.

 

ND graduado: utilizado para balancear a intensidade da luz em uma parte da cena em relação à outra parte, em situações em que não se tem controle total da luz, como em ambientes externos com muito brilho, por exemplo. Expor de acordo com a imagem principal vai resultar em um céu lavado e superexposto. Expor de acordo com o céu deixará a imagem de frente escura e subexposta. Os filtros ND graduados têm metade transparente e metade com densidade neutra, com um limite de transição bem suave entre as duas áreas. Isso permite que a transição se mescle com a cena, às vezes de modo imperceptível. 

ND graduado color-grad: filtro de efeito que intensifica a cor em determinadas áreas da imagem. Possui uma parte colorida com uma transição para uma parte mais clara ou translúcida. Com este filtro, pode-se acentuar o azul do céu, o verde da grama, etc.

 

O filtro Color-grad geralmente vem em três tipos de transição. O mais usado é o de gradação "soft" (suave). Ele tem uma área de transição larga o suficiente permitindo que a transição se mescle com a cena, às vezes de modo imperceptível, mesmo naquelas feitas com lentes grande-angulares (que tendem a tornar mais "estreita" a transição dentro da imagem). Uma lente de maior distância focal, no entanto, pode registrar a imagem somente do centro da transição. Nesse caso, ou quando a mescla deve se localizar em uma área estreita e bem definida, use uma gradação "hard" (dura). Ela é ideal para horizontes marítimos sem figuras de frente. Para situações em que é necessária uma mescla extremamente gradual, um "atenuador" pode ser usado. Ele modifica a densidade ao longo de praticamente toda a sua extensão. 

 

Close-up: permite que as objetivas possam obter foco mais próximas do que a distância mínima de foco para a qual foram projetadas. 

Dicroico: filtro que transmite somente certos comprimentos de onda de luz, refletindo o restante do espectro antes de absorvê-lo. Converte a luz dos refletores em luz natural.

Skylight 1A e 1B: filtros com coloração levemente magenta que absorvem o excesso de verde. Podem ser utilizados para saturar um pouco o azul e o vermelho.

Warm: filtro que serve para esquentar um pouco as cores. É indicado para dias nublados e ambientes sem contraste.
 
Intensifier: filtro usado para realçar o vermelho, o laranja e o marrom dos objetos, proporcionando maior saturação e contraste de cores.

Manual do cinegrafista

2017 - 2020 © Ricardo Pizzotti