Entendendo o time code

Ricardo Pizzotti

O time code (ou timecode) é um código digital registrado por gravadores de áudio ou vídeo que identifica cada frame como um endereço único e completo.

 

Foi desenvolvido pela Nasa para decupar fitas nas viagens espaciais da missão Apollo. Em 1969, a SMPTE e o EBU estabeleceram um padrão para todos os sistemas de vídeo, acabando com as várias versões existentes.

 

O time code é utilizado para sincronizar imagem e som em equipamentos de edição, permitindo a localização precisa de pontos de áudio e vídeo. É uma referência cronológica. Ele pode ser codificado dentro do sinal de vídeo ou carregado separadamente, como um sinal de áudio. Marca o tempo em horas, minutos, segundos e frames com absoluta precisão. Por exemplo, 01:20:15:05 significa: 1 hora, 20 minutos, 15 segundos e 5 frames.

 

Os frames (quadros) vão de 0 a 29; 30 quadros correspondem a 1 segundo. Ele pode ser gerado durante a gravação ou ser colocado posteriormente.

 

Antes dele, era preciso confiar nos pulsos da trilha de controle (CTLs), gravados na fita, para determinar o número de frames e, consequentemente, o tempo em gravação contínua. O problema com o CTL é que ele não grava um endereço específico que pode ser retornado e se perde durante a procura em alta velocidade.

 

São quatro as informações contidas em um time code: 

 

      1. Sincronismo e detecção de erros

      Somente dados internos sem interesse para o usuário.

      2. Variáveis de aplicação

      Dados internos que poderão ser exibidos no leitor se o usuário desejar.

       3. Tempo

      Exibe o tempo no formato HORA:MINUTO:SEGUNDO:FRAME, usando o formato 24 horas. A contagem dos frames começa no 00 para o primeiro frame e termina em uma unidade a menos, conforme o número de frames por segundo (fps) envolvido (por exemplo, 23 para 24 fps; 24 para 25 fps; 29 para 30 fps). 

      4. Dados do usuário (user bits)

      Informação do usuário exibida com oito dígitos. Pode conter a data no formato DIA:MÊS:ANO e/ou qualquer outra informação que preencha alguns requisitos.

Time code é um código digital gravado na fita de vídeo que dá a cada quadro um endereço único. Permite a localização exata, sem nenhuma variação, dos pontos de áudio e vídeo.

Os primeiros dois dígitos se referem às horas (de 00 a 23); os minutos e segundos vão de 00 a 59 e os frames, de 00 a 29. O time code pode ser gerado durante ou após a gravação. 

Curso de televisão
Manual do cinegrafista

Aprenda tudo sobre operação de câmeras de vídeo

QUERO APRENDER

Padrões de time code

 

Existe apenas um padrão EBU de time code: o de 25 fps. Já o time code SMPTE oferece cinco formatos: 24 fps; 29,97 fps non-drop frame; 29,97 fps drop frame; 30 fps non-drop frame; e 30 fps drop frame. As principais formas de se gravar um time code do tipo SMPTE são o LTC e o VITC.

 

O SMPTE time code possibilita em algumas câmeras a escolha da forma de se gerar a numeração. A mais comum é a Record Run, que registra o tempo decorrido de gravação na fita, em horas, minutos, segundos e quadros. Outra forma é a Free Run, ou Time of Day, na qual a numeração (horas/minutos/segundos) é obtida a partir de um relógio digital existente na câmera, que fica sempre funcionando, independentemente de estar sendo feita ou não alguma gravação. Quando uma gravação interrompida é retomada, o valor HH:MM:FF é obtido da leitura desse relógio no momento do reinício do REC. Esse tipo de time code é útil na sincronização de várias câmeras. O relógio interno das câmeras é sincronizado entre elas e, a partir desse momento, mesmo que existam interrupções ou até troca de fitas ou cartões nas câmeras, é possível sincronizar as várias fontes da mesma imagem no momento da edição.

 

Na forma User Set, é possível informar para a câmera o valor inicial a ser considerado para HH:MM:SS:FF. Nesse modo, em vez da digitação da hora real, geralmente insere-se um número em "HH" representando o número da fita utilizada no momento. 

 

Na forma External, o time code é obtido de uma fonte externa geradora de time code e não do relógio digital da câmera, sendo utilizado geralmente em situações nas quais mais de uma câmera esteja atuando, como em um estúdio.

 

Na forma Jam-Sync, o relógio digital da câmera é iniciado por uma fonte externa geradora de time code, por exemplo, como uma claquete com gerador embutido, sendo a seguir a conexão entre essa fonte e a câmera desfeita.

 

DV Time Code (DV Time)

 

É utilizado normalmente no formato DV de vídeo. Nas fitas desse formato, o time code é gravado nas trilhas em uma área denominada subcode. O DV time code é do tipo non-drop time code e é reiniciado (00:00:00:00) sempre que a gravação é efetuada em um trecho virgem da fita.

 

Longitudinal Time Code (LTC)

 

O time code longitudinal ou linear foi o primeiro usado pela SMPTE. Nele os pulsos digitais são convertidos e gravados na fita em uma das pistas de áudio (analógico) na forma de tons (áudio modulado). Esse sistema pode apresentar problemas no momento em que a fita é copiada ou durante a edição; não pode ser lido quando a fita é parada ou quando é movida a uma velocidade muito baixa ou muito alta.

 

Uma vantagem do LTC é a possibilidade de registrar o time code antes (pre-stripped) ou depois (post-stripped) da gravação em vídeo. Em equipamentos melhores, com pistas de áudio estéreo, é possível gravar o time code em uma pista e deixar o áudio na outra.

 

Vertical Interval Time Code (VITC)

 

Sistema de maior precisão, superior ao LTC, adotado pela SMPTE em 1980, que grava a posição dos quadros utilizando o intervalo vertical vazio entre os campos da imagem. É o mais seguro, pois a pista de vídeo é menos sujeita a problemas do que a pista de áudio. O VITC é inserido na fita no momento da captação das imagens e não pode ser alterado. Pode ser visto durante a reprodução mesmo com a fita pausada.

 

Existem tradutores e conversores capazes de fazer a conversão VITC e LTC e de mudá-los para protocolos RS-422 ou RS-232.

 

Os melhores equipamentos de edição permitem colocar o time code temporariamente sobre a imagem (keyed-in code) ou como parte integrante dela (burned-in time code).

 

Drop Frame

 

No sistema NTSC (time code SMPTE/EBU), o número de frames por segundo é de 29,97 e não de 30. O time code, no entanto, numera normalmente quadro a quadro a sequência de vídeo, iniciando em 00 e terminando em 29 (total de 30 quadros, contando-se o primeiro como 00). Com isso, na reprodução de um vídeo, por exemplo, com a indicação do time code sendo visualizada, ao término de 1 segundo a indicação QQ ainda mostrará “28” e não “29”, porque os 30 quadros levam mais do que 1 segundo para serem exibidos. Embora a diferença seja muito pequena (0,1%), para tempos maiores ela se torna aparente, podendo causar problemas de sincronização.

 

Para corrigir essa diferença, foi criado um sistema chamado Drop Time Code, ou Drop Frame Time Code, uma forma de contagem dos quadros que compensa de tempos em tempos a diferença com o tempo real. Saiba mais

2017 - 2020 © Ricardo Pizzotti