Composição cenográfica

Ricardo Pizzotti

Composição cenográfica é o arranjo dos elementos na cena (o assunto principal, o primeiro plano, os motivos secundários, etc.), cuja qualidade estética inclui um conjunto de cores, luz, forma, linhas e volumes, equilibrados e harmônicos em seu todo, e que criam movimentos e contrastes.

 

O senso estético pode ser resultado de um talento nato ou ser desenvolvido com o estudo e a observação de trabalhos de bons diretores, cenógrafos, fotógrafos e artistas. 

 

A cenografia, que é uma composição para um espaço tridimensional, deve ter como objetivo alcançar um efeito emocional, transmitir um clima e quebrar a monotonia.

Compor não é só criar imagens bonitas, mas mostrar imagens apropriadas. Dessa forma, a composição deve ser feita de modo que o espectador olhe o que se deseja, fixe a atenção em algum ponto da cena, não importando se o centro de interesse está no primeiro plano, no meio ou atrás do cenário. É preciso levar em conta a forma, o tamanho, a importância de pessoas ou objetos na cena; por isso é essencial observar o cenário por inteiro, e não só o motivo principal. Se uma imagem não está bem composta, o espectador desvia sua atenção para um ponto não interessante da cena.

 

Podemos dividir os elementos visuais que compõem um cenário em: massa (pessoas, objetos, etc.), profundidade (perspectiva, profundidade real ou aparente), linhas(direção dos movimentos, linhas da cena), tonalidade (tons das cores, brilhos e contrastes), forma (formato dos elementos da cena) e textura (aparência tátil e visual de uma superfície).  

 

Massa

Existem algumas regras para composição utilizadas na pintura, na fotografia e no cinema que podem auxiliar na composição do quadro, tornando as imagens mais harmoniosas e equilibradas. 

 

A distribuição dos elementos em uma cena deve ser feita posicionando-os segundo o “peso visual” que intuitivamente associamos a cada elemento. Objetos grandes pesam mais do que objetos pequenos e objetos escuros pesam mais do que objetos claros. O equilíbrio também se estende à composição vertical, em que a composição fica mais natural quando os objetos mais pesados são posicionados abaixo dos mais leves. 

 

Quanto à massa, a composição pode ser simétrica ou assimétrica. Na simétrica, os motivos situados no mesmo eixo têm igual peso, o que torna a imagem muito formal, fria e sem criatividade, enquanto na assimétrica a composição fica muito mais interessante e agradável.

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Ponto

O ponto é a unidade de comunicação visual mínima e mais simples. Tem grande força de atração visual.

Quando pontos de uma sequência estão muito próximos entre si, de maneira que se torna impossível identificá-los individualmente, a cadeia de pontos se transforma em outro elemento visual distintivo: a linha.

 

Linha

A linha conduz o olhar. Ela nunca é estática, está sempre em movimento e, como elemento conceitual, possui direção, comprimento (crescimento) e posição.

As linhas reais de uma cena — as formadas pelos objetos, pessoas e direção do movimento — podem proporcionar o clima e levar a atenção do espectador ao centro de interesse.

As bordas dos objetos são formadas por linhas que, uma vez trabalhadas, podem direcionar nossos olhares para determinado ponto da imagem. 

As linhas também têm um significado. As verticais sugerem dignidade, poder; as horizontais, estabilidade, paz e tranquilidade. Linhas paralelas às bordas do quadro criam uma sensação de formalidade e ordem, mas deixam a imagem monótona, enquanto as que formam um ângulo com as laterais do quadro transmitem mais emoção e vigor. As linhas diagonais são sempre melhores do que as horizontais e verticais. As linhas curvas, por sua vez, passam uma sensação de suavidade, tranquilidade, graça, movimento e sensualidade. As linhas dentadas transmitem a ideia de destruição ou violência. 

 

Sempre que possível, utilize linhas para melhorar a composição, destacar o assunto principal ou estabelecer ligações entre os vários elementos da cena. Utilize as linhas da perspectiva, que podem ser sugeridas pela disposição dos objetos, dos movimentos, das sombras, etc.

Plano

Um plano é o agrupamento de várias linhas que formam uma imagem em duas dimensões, altura e largura, sem profundidade, podendo ser ou não uma forma geométrica conhecida.

 

O plano pode ser de qualquer cor, liso ou áspero, opaco ou transparente, etc.

Forma

As formas, resultado da união de linhas, transmitem conteúdo emocional e guiam o olhar. Na linguagem das artes visuais, a linha articula a complexidade da forma.

 

O quadrado, o triângulo e o círculo são as três formas básicas. Com base nas combinações e variações, encontramos todas as formas físicas da natureza e da imaginação humana.

Textura

É a forma espacial de uma superfície, a qualidade ou a sensação de tato de um objeto (liso, áspero, macio, suave, etc). Um objeto com textura realçada estimula a sensação do tato. 

 

A textura, junto com a cor e a forma, transforma motivos planos em imagens com forte sensação tridimensional. Ela permite determinar a aparência de um objeto e a sensação que teríamos ao entrar em contato com ele.

Combinações de texturas podem ser usadas para criar variação e interesse, mas devem ser usadas com cautela: um recinto com pouca variação de texturas pode ficar sem graça; já combinações de texturas duras e macias, brilhantes e foscas podem ser usadas para criar variedade e interesse.

Veja também
Glossário de cenografia
Principais termos usados em cenografia
O projeto cenográfico
O cenário cenográfico e seus elementos.
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Cenografia no cinema e na televisão
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