Conheça o funcionamento de uma câmera de cinema

Ricardo Pizzotti

A câmera de cinema trabalha com película, registrando, em ritmo constante, uma série de imagens fotográficas sucessivas, que na projeção dão a sensação de movimento, devido ao fenômeno da persistência da visão. Esse fenômeno ocorre porque toda imagem é retida pelo olho humano uma fração de segundo a mais do que realmente aparece; isso faz com que uma sucessão de imagens fixas, ligeiramente diferentes, pareça estar em movimento.

 

Quando o botão de gravação da câmera é pressionado, o filme se desloca acionado por uma garra metálica, que penetra nas perfurações dispostas ao longo de suas bordas e o puxa. Enquanto o filme é movimentado o obturador é ativado em sequência na razão de 24 quadros por segundo.

 

A história do cinema é a história de luzes e sombras projetadas para criar uma ilusão. 

 

Em 1893, o americano Thomaz Alva Edison conseguiu gravar imagens fotográficas em um rolo de filme e reproduzir o movimento em outro aparelho inventado por ele, o quinetoscópio. Ele tinha inicialmente planejado filmar em cilindros sensíveis à luz. Mas o seu assistente, William Dickson, preferiu escolher a película que George Eastman tinha produzido para as máquinas fotográficas Kodak. Dickson alinhou longitudinalmente os 7,6 m da película. Em seguida fez perfurações nas margens para poder enrolá-las de forma uniforme dentro da câmara cinematográfica que tinha construído.

 

Mas o cinema propriamente dito só surgiu realmente com o lançamento, em 1895, pelos irmãos Louis e Auguste Lumière, em Paris, do cinematógrafo, projetor de películas sobre uma tela, equipamento que era o aperfeiçoamento da câmera de Edson.

 

Com diferentes aparências, as câmeras funcionam com o mesmo princípio até hoje. São constituídas basicamente de três partes: o corpo com uma parte puramente mecânica, para arrasto, exposição e enrolamento do filme; o chassi, que contém o filme e o sistema óptico que compreende a objetiva, os filtros e acessórios.

 

O corpo é onde se localiza a empunhadura, as aberturas que permitem o encaixe do chassi e da objetiva e o mecanismo de transporte do filme (grifa/obturador) que é responsável pela captação de um determinado número de fotogramas por segundo.

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Chassi

 

O chassi ou magazine de uma câmera é o compartimento onde fica o filme, tanto o virgem quanto o já exposto.

 

O chassi pode ser plano de dois eixos ou coaxial. No primeiro, o mais antigo, a parte virgem e a parte exposta ficam no mesmo compartimento. Já no chassi coaxial o rolo virgem fica separado do exposto. A operação de carregamento do magazine é uma operação delicada porque a película deve ser manipulada no escuro.

 

Velocidade de Captação

 

Alterando-se a velocidade do mecanismo grifa/obturador conseguem-se os efeitos de câmera lenta e câmera rápida. Como a velocidade padrão de projeção é 24 quadros por segundo, quando filmamos a mais fotogramas por segundo a projeção fica em câmera lenta e quando filmamos a menos quadros por segundo a projeção fica em câmera rápida.

 

Visor

 

Para conseguir um enquadramento mais preciso, a maioria das câmeras profissionais tem um sistema de visor reflex. Com ele, o operador da câmera vê exatamente a mesma imagem que vai ser registrada. Muitas câmeras têm também a possibilidade incorporar uma câmera de vídeo em miniatura que transmite a imagem do visor reflex a um monitor para que outros membros da equipe, especialmente o diretor e o iluminador possam acompanhar a filmagem. A este sistema, cada vez mais usado, é conhecido como video assist.

Formato

 

A qualidade das imagens depende entre outros fatores do formato do filme. O cinema profissional e a publicidade, normalmente usam o formato de 35mm. A película de 16 mm é muito utilizada em documentários e programas de televisão. Também existe uma versão de 16 mm, conhecida como Super 16, que tem uma superfície maior e uma imagem de melhor qualidade que se pode passar para 35 mm.

Som

 

A gravação do áudio normalmente é feita em bobinas abertas em gravadores conhecidos como Nagra, ou em fitas DAT para gravação digital. Os sons são depois em um estúdio transferidos para a película magnética para serem montados junto com as imagens. A película magnética tem um formato similar ao da película óptica, inclusive com as perfurações para transporte, mas tem uma capa de material magnético. São feitas várias pistas sonoras magnéticas separadas, todas sincronizadas com a imagem, e depois são reunidas em uma única pista (máster) de som magnético.

 

Hoje em dia este processo está em desuso, e a sonorização se realiza com programas de computador que tem uma infinidade de pistas de áudio e possibilidades de geração de sons ou de modificações dos já existentes, até obter uma mistura digital sincronizada com a imagem, normalmente obtida do copião de trabalho telecinado (passado para vídeo), ou montado diretamente em vídeo a partir do telecinado ou da imagem do video assist gravada diretamente em vídeo. Esta mistura digital será depois transferida para a película magnética.

 

Quando a montagem da imagem e da banda sonora editada, ou máster, foi completada, o negativo original é cortado conforme o copião de trabalho. O máster do som magnético, a edição definitiva, é transferida para som óptico. O negativo de imagem já montado e o som óptico são então copiados conjuntamente para obter-se a primeira cópia, ou cópia zero. Depois, são feitos ajustes de cor e de luminosidade e, normalmente mediante um internegativo, são produzidas várias copias para a distribuição e exibição.  Saiba mais                                                                                                                                                                                     

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